sábado, 7 de março de 2026

Vai Marcelo que não me deixas Saudades!



 Vai Marcelo que não me deixas Saudades!


Amanhã termina o mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. Ficam para trás dez anos de “marcelismo”, não do outro Marcelo, mas por vezes também cheirou a naftalina. Uma presidência menos cavaquista, menos formal, marcada por proximidade, muitas selfies e um estilo mediático constante.


Para mim, porém, foi um presidente fraco. Muitas vezes quizilento, intriguista e, quando quis, claramente sectário. Comentou praticamente tudo, quase como um comentador permanente, um estilo de analista de imprensa cor-de-rosa do que um chefe de Estado.


Podia ser mais discreto e contribuir para uma maior estabilidade política, fez o seu contrário. Dissolveu o Parlamento após o chumbo do Orçam
ento do Estado de 2021 e voltou a fazê-lo quando um primeiro-ministro com maioria absoluta se demitiu. Manteve uma pressão constante sobre António Costa, enquanto com Luís Montenegro adotou uma postura bem mais permissiva. Também não esqueço a forma como tratou o caso “Galamba”, nem as polémicas que envolveram episódios como o das gémeas ou as constantes marcelistas enroladas em bolas de gelado da Santini.


No fundo, Marcelo foi sempre igual a si próprio: o homem do mediatismo, o mesmo que nos anos 90 distraía jornalistas com histórias de vichyssoise ou mergulhos no Rio Tejo. Nunca se desligou da exposição mediática, mas, na minha opinião, foi muitas vezes pouco fiável e até um fator de perturbação institucional.


Por fim, tenho algum orgulho em dizer que fui dos poucos portugueses que nunca votei nele e também nunca tirei uma selfie com ele.


Ao próximo Presidente da República, desejo sobretudo, que seja verdadeiramente um Presidente de todos e para todos os portugueses. E, acima de tudo, que esteja ao lado dos mais vulneráveis e daqueles que têm menos voz. 


Que na sua magistratura, não se esqueça do Interior do nosso País!

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