quarta-feira, 13 de abril de 2016
segunda-feira, 21 de março de 2016
Dia Mundial da Poesia
Porque hoje se comemora o Dia Mundial da Poesia,
veio-me à memória o seguinte episódio. Tinha os meus 13 anos, numa aula de
Português, com a cabeça distante, ouvi a seguinte pergunta: O que é ser poeta?
Respondi de forma repentina e irreflectida:
- “São aqueles que vêem tudo a rimar!”; a resposta pode não
ter sido feliz e pouco ortodoxa, mas o sentido estava lá!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Freud explica o Carnaval
Segundo Freud, a nossa mente é como uma casa em que vivem três
habitantes. No térreo, mora um sujeito simples e meio atucanado, chamado Ego.
Ele não é propriamente o dono da casa, mas cabe-lhe pagar a luz, a água, o
IPTU, além de varrer o chão, lavar a roupa e cozinhar. Estas tarefas fazendo
parte da vida cotidiana, Ego até não se queixaria. O pior é ter de conviver com
os outros dois moradores.
No andar superior, decorado em estilo austero, com estátuas de
grandes vultos da humanidade e prateleiras cheias de livros sobre leis e moral,
vive um irascível senhor, chamado Superego. Aposentado – aos pregadores de
moral não resta muito a fazer em nosso mundo – Superego dedica todos os
esforços a uma única causa: controlar o pobre Ego. Quando liga, se lembra de
alguma piada boa e ri, ou quando o Ego se atreve a cantar um sambinha, Superego
bate no chão com o cetro que carrega sempre, exigindo silêncio. Se Ego resolve
trazer para casa uma namorada ou mesmo uns amigos, Superego, de sua janela,
advjerte: não quer festinhas no domicílio.
No porão, sujíssimo, mora o terceiro habitante da casa, um
troglodita conhecido como Id. Id não tem modos, não tem cultura e na verdade
mal sabe falar. Em matéria de sexo, porém, tem um apetite invejável. Superego,
que detesta estas coisas, exige que o Ego mantenha a incoveniente criatura
sempre presa. E é o que acontece durante todo ano.
No Carnaval, porém, Id se solta. Arromba a porta do porão, salta
para fora e vai para a folia, arrastando consigo o perplexo Ego que, num
primeiro momento, resiste, mas depois acaba aderindo. E aí são três dias de
samba,j bebida, mulheres.
Quando volta para casa, na quarta-feira, a primeira pessoa que
vê Ego é o Superego, olhando-o fixo da janela do andar superior. Ele não
precisa dizer nada, Ego sabe que errou. Humilde, enfia-se em casa, abre a porta
do porão, para que o saciado Id retorne a seu reduto, e aí começa a penitência,
que durará exatamente um ano.
De vez em quando, Ego tem um sonho. Ele sonha que os três fazem
parte de um mesmo bloco carnavalesco, e que, juntos, se divertem a valer – o
Superego é, inclusive, o folião mais animado. Mas, isto é, naturalmente, sonho.
Autor: Por Moacir Sciliar
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Adeus, Aníbal
Um Texto de Tiago Matos Silva, que me revejo na integra!
Nascido em Julho de 1976, sou governado um dia pelo Pinheiro de Azevedo (VI governo provisório), três meses pelo Nobre da Costa (III governo constitucional), nove meses pelo Mota Pinto (IV governo constitucional), sete meses pela Maria de Lurdes Pintassilgo (V constitucional), um ano pelo Sá Carneiro (VI constitucional), dois anos e cinco meses pelo Pinto Balsemão (VII e VIII constitucionais) e quatro anos e meio pelo Bochechas (I, II e IX governos constitucionais)... De ti Aníbal, entre governos minoritários, governos com maioria absoluta e presidências da República levo 20 anos!! Eu tinha 9 anos mal acabados quando chegaste a São Bento e vou ter quase 40 quando finalmente saíres de Belém. Eu não me lembro (os meus amigos mais velhos riem-se) dum tempo antes de ti Aníbal!
E não é como que não tenha o que te agradecer: a facécia da rodagem do carro à Figueira da Foz, o fim da indústria e da agricultura e da pesca trocados pelo alcatrão das autoestradas dos amigos da Mota-Engil, o “ai eu não sou político” mais espesso desde o tempo do Botas, o Poço de Boliqueime passado a Fonte e o “nunca me engano e raramente tenho dúvidas”, os hemofílicos cheios de SIDA da Dra. Leonor e as moscambilhas do mano Zézé, a porrada na ponte e a que levei à porta do parlamento porque não queria fazer a PGA (veio o teu ministro da polícia chamar-lhe “acção meritória” no telejornal à noite), as propinas e o porteiro do Hospital de Faro despedido por te ter tratado como um mero mortal, a pensão (recusada ao Salgueiro Maia mas) atribuída aos pides, o coqueiro, o bolo-rei e a “Mariani”, o papá gasolineiro e o genro produtor, a medonha foto retocada das presidenciais e a patranha das escutas do Palácio de Belém, o “Independente” e o “Inimigo Público” (só com garras quando o governo é PS) e os orçamentos inconstitucionais, a pensão do Banco de Portugal e as “forças de bloqueio” e o consenso e a solidariedade institucional e a solidez do grupo Espírito Santo, o Dias Loureiro (o teu meritório ministro da polícia) e o Duarte Lima e o Ferreira do Amaral e a Manuela Ferreira Leite e o Durão Barroso e o Miguel Cadilhe e o Marques Mendes e o Isaltino Morais (e o sobrinho) e o Valentim Loureiro e o Luís Filipe Menezes e o Pedrinho Passos Coelho e o Oliveira e Costa e o resto da escumalha do BPN... e a Maria, a Maria, a Maria, a Maria e o ar dela e os presépios e o estilista do Fundão e a Kátia Guerreiro a cavalo e a dor de corno dos 50 dias... obrigado Aníbal, mil vezes obrigado.
Pai do Monstro, nossa Thatcher sem tomates, nota de rodapé da História, sonso mil vezes sonso... vai ser uma alegria contida e sossegada cá em casa ver-te (mais) chupado dos ossos e (ainda mais) esclerosado na bancada dos próceres do regime nas festarolas da Assembleia, silencioso e finalmente total e absolutamente irrelevante; sempre é menos triste que ver-te a escorrer despeito pelos salões mal decorados de Belém, a hesitar na leitura dos papelinhos que sabe deus quem te enfiou nos bolsos... não te preocupes Aníbal, está quase quase a acabar.
Não te preocupes Aníbal, estes meses finais vamos fazer de conta que já foste, que já não há ninguém em Belém, vamos fingir que já não existes. Não te preocupes Aníbal, nós ajudamos-te a terminar o mandato com dignidade... ignorando-te.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Uma Carta ao Pai Natal
Uma Carta ao Pai Natal aos 40
anos.
Decerto, que todos nós, nas nossa
infâncias escrevemos cartas ao Pai Natal, os que as não puderam escrever,
acabaram por idealizar um rol mais ou menos vasto de preces lúdicas, pessoais
ou até de segurança.
No nosso imaginário infantil,
havia desejos lúdicos, projecções e expugnações pessoais… a conquista de um
beijo da miúda mais gira da turma, e quiçá a possibilidade em jogar na equipa
dos mais velhos no recreio da escola ou que o matulão da turma, fosse o nosso
protector e nos protegesse dos nossos inimigos!
O que todos desejávamos era a
felicidade pessoal e por consequente os amigos também seriam contemplados! Por
falar em amigos não esqueço aqueles que convivi na Praça (casa dos meus avós),
os do Terreiro, os da Rua do Café dos meus pais e até os da Portela da Devesa
que eram astutos na luta das fisgas… Era assim que vivíamos no inicio da década
de 80! Recordo-me da primeira carta que escrevi ao Pai Natal, fi-la com o meu
amigo Nuno (Cholas), escrevemos uma data de folhas sobre a mesa da cozinha na
casa onde nasci, a casa dos meus avós. Pedimos tanta coisa, tantos brinquedos,
tantos jogos e quase de certeza o desejo de o Sporting poder ser Campeão
Nacional. A história acabou mal, a mãe do Nuno, fartou-se de o procurar, não
sabia onde ele andava e terminou com umas palmadas…o nosso plano falhou e não
enviamos as cartas, não por falta de selos, mas porque perdemos a morada do Pai
Natal.
As cartas ao Pai Natal serviam
para projectar o nosso inconsciente com imensa fantasia, a fantasia de
acreditar que teríamos tudo ao longo da nossa vida: Amigos, amigos, amigos e
mais amigos e a família. Mais tarde a ordem trocou-se e aí o Pai Natal era
coisa do passado, tão passado que já sofria de Alzheimer e já se tinha
esquecido da nossa existência. Nessa altura o que desejávamos eram roupas de
marca, umas miúdas giras para sair, uma scooter, uns livritos, uns CD`s, umas
noitadas sem hora para chegar a casa e, se possível, tirar umas notas porreiras
para que os cotas não nos chateassem a tola.
Depois os desejos passaram a ter
uma natureza mais académica, podermos entrar na Universidade, ter um carro para
as noitadas, umas férias com os amigos e dinheiro na algibeira para que nada
nos faltasse… depois, vieram os trinta e agora, que já cá moram os quarenta o
que posso pedir ao Pai Natal? Como pedir não paga imposto, vou pedir, aquilo
que antes parecia menos importante: Saúde e Saúde! A Saúde para que a vida
permita todo o remanescente, o suficiente para que este País possa dar
oportunidades aos mais jovens e às gerações que sentem o seu futuro hipotecado.
Um país que não viva para pagar dividas à Banca, mas que possa bancar uma
escola pública, um sistema nacional de saúde gratuito, um acesso à Cultura para
todos e que aqueles que nada têm possam viver com o mínimo de dignidade humana.
Um país menos homofóbico e menos xenófobo, um país que não discrimine aqueles quem
têm uma orientação sexual ou ideológica diferente da nossa.
Um país desenvolvido que não
mande aos seus jovens emigrar, que não dê oportunidades e regalias só para
aqueles que mais têm!
Se esse país se transformar e se
tornar real para todos, ficarei saciado e repleto de esperança que as minhas
filhas possam acreditar que o Pai Natal é um fixolas!
Para terminar a minha primeira
carta ao pai natal, escrita de forma digital, faço o apelo para que ele me
envie o endereço pessoal, para que desta vez, a possa ler e assim não seja
extraviada. Aguardo ansiosamente pelo teu e-mail, pois amanhã, já é dia de
Natal!
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
terça-feira, 15 de setembro de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Uma história do 1º de Maio de 1974
Há uma história que me contaram há muitos anos sobre o 1º de Maio de 1974 em Lisboa, que não esqueço, e gosto de a contar nesta altura do ano.
Depois da revolução do 25 de Abril, a grande manifestação popular deu-se nas comemorações do 1º de Maio, então os vários partidos preencheram murais, com palavras de ordem, como exemplo: PCTP/MRPP " O 1º de Maio é Vermelho", o PCP: "O 1º de Maio é Revolução", o PS: " O 1º de Maio é o dia do Trabalhador", etc.
Então, no meio de tantas mensagens, há uma faixa que se destaca, a dos Monárquicos, talvez liderada pelo Prof. Ribeiro Teles que dizia "O 1º de Maio é Feriado!".
Em suma, esta história demonstra o valor da democracia!
PS- Numa altura em que as pessoas se deslocavam por vontade própria e havia poucos autocarros!!!
quinta-feira, 26 de março de 2015
A ESTRANHA
A ESTRANHA
(autor desconhecido)
Alguns anos após o meu nascimento, o meu pai conheceu uma estranha, recém-chegada à nossa pequena cidade.
Desde o início que o meu pai ficou fascinado com esta encantadora personagem e, de seguida convidou-a a viver com a nossa família.
A estranha aceitou e, desde então, tem estado connosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre qual o seu lugar na minha família; na minha mente jovem ela já tinha um lugar muito especial.
Os meus pais eram professores... a minha mãe ensinou-me o que era bom e o que era mau e o meu pai ensinou-me a obedecer.
Mas a estranha era a nossa narradora.
Mantinha-nos enfeitiçados durante horas com aventuras, mistérios e comédias.
Sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou a minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir e fazia-me chorar.
A estranha nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, a minha mãe levantava-se cedo e calada, enquanto nós ficávamos a ouvir o que tinha para dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora pergunto se ela teria rezado alguma vez para que a estranha fosse embora).
O meu pai conduzia o nosso lar com certas convicções morais, mas a estranha nunca se sentia obrigada a honrá-las.
As blasfémias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos na nossa casa… por nós, pelos nossos amigos ou por qualquer um que nos visitasse.
Entretanto, a nossa visitante de longo prazo usava sem problemas a sua linguagem inapropriada que às vezes queimava os meus ouvidos e que fazia o meu pai se retorcer e a minha mãe se ruborizar.
O meu pai nunca nos deu permissão para beber álcool. Mas a estranha animou-nos a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem especiais.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Os seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que os meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante a minha adolescência pela estranha.
Repetidas vezes a criticaram, mas ela nunca fez caso dos valores dos meus pais, mesmo assim, permaneceu no nosso lar.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que a estranha veio para a nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era no princípio.
Não obstante, se hoje pudesse entrar na guarida dos meus pais, ainda a encontraria sentada no seu canto, esperando que alguém quisesse escutar as suas conversas ou dedicar o seu tempo livre a fazer-lhe companhia...
O seu nome? Ah! O seu nome…
Chamamos-lhe de TELEVISÃO!
É isso mesmo; a intrusa chama-se TELEVISÃO!
Agora tem um marido que se chama Computador, um filho que se chama Telemóvel e um neto com o nome Tablet.
A estranha agora tem uma família. Será que a nossa ainda existe?
terça-feira, 17 de março de 2015
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Ora aí estão eles…40!
Ora aí estão eles…40! Uma data
rechonchuda que mistura o saber à nostalgia.
Enfrentar os 40 anos parece para
alguns não ser tarefa fácil, abundam os clichés e as redundâncias quando se
fala na entrada nos “entas” fazendo, de certo modo, temer este novo ciclo da
vida.
Eu pessoalmente, há muito que
encarnei o provérbio chinês: “ a juventude não é um ciclo da vida, mas sim um
estado de espírito ”, mas olhando para o atrás debruço-me sobre o que foram
estas 4 décadas de vida.
Foram anos bons, outros menos
bons e, até houve pelo meio, anos maus. Mas aprendi que a vida é assim mesmo,
entre a vertigem de se viver o limite com a paciência de acalmar o nosso
quotidiano. Nesta mescla da vida há tudo o que é comum ao ser humano e como não
sou excepção, vivenciei alegrias, tristezas, sucessos, insucessos, ilusões,
decepções…
A vida foi assim ao longo destes
40 anos. Aprendizagens, autonomias, responsabilidades, emancipações fizeram
parte do processo de desenvolvimento… Mais tarde aprendi no meio dos vários
saberes e com a visão de Vygotsky, que não há aprendizagem sem
desenvolvimento!
Viver livre desde os 15 anos,
altura em que fui estudar para Coimbra fizeram-me ser assim, fui rebelde e criei
a minha forma própria de olhar o mundo e as coisas. Depois foi Aveiro, Lisboa,
Belmonte, novamente Lisboa, a Guarda e o regresso à terra Natal. Quanto ao
futuro? Há desafios para ponderar…
Estes anos serviram de amadurecimento
humano, neste percurso houve encontros e desencontros e pelo meio apareceu
gente que espero não ter que lidar mais… mas também muitos que partiram
precocemente e que sinto saudade. A morte do meu pai e do meu avô Joaquim
marcaram a crueldade da vida, a frieza de saber que não somos donos de nada,
que não comandamos nada e Deus também leva os que mais amamos.
O Presente, é auspicioso pois tenho
uma nova família ou como costumo dizer as minhas novas Marias. Com elas cresci
o suficiente, para saber que tudo é diferente e que a vida é demasiadamente
maravilhosa.
Há também a restante família e os
Amigos, porque são muitos, para eles, Um OBRIGADO do tamanho do MUNDO.
Antes de concluir, a pergunta do
quarentão: O que seria da vida sem inimigos? Provavelmente seria
insípida! A
minha bisavó Maria, dizia que não há nenhum Homem que preste se não tiver
inimigos! Eu acrescento, que as criticas deles são grandes elogios e os
assobios são palmas de grande aclamação. Também para eles o meu Bem-haja!
Termino como comecei, ora aí
estão os 40!Por isso, venham mais e dos bons!
PS – Aqui fica o meu reconhecimento, de que
tudo isto só foi possível graças ao esforço dos meus pais. Agradeço as
oportunidades que tive em poder viver o que vivi… e quase sempre à minha
maneira!
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