segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Coimbra e Tu Metes Nojo...


Há artigos que não se leem apenas com os olhos. Leem-se também com a memória.

Hoje de manhã, recebi de uns amigos de Coimbra este artigo da Coimbra Coolectiva, que revisita uma parte de uma Coimbra que muitos de nós vivemos intensamente durante a década de 90.

Para quem lá estudou e cresceu nessa época, a música fazia parte do nosso quotidiano, da nossa identidade e, sobretudo, do nosso coletivo. Crescemos a ouvir e a assistir aos concertos de bandas punk, góticas, rockabilly e tantas outras, muitas vezes em espaços improváveis e em ambientes que, para alguns, poderiam parecer desconcertantes.

Ao ler o artigo, fui inevitavelmente levado de volta a esses anos. Recordei, entre tantas outras histórias, um concerto que organizámos durante umas eleições para a Associação de Estudantes da Escola Infanta D. Maria. E recordei também alguns dos rostos, músicos e personagens que fizeram daquela Coimbra um lugar tão singular.

Quem viveu, como eu, aqueles anos em relativa liberdade, saberá interpretar o que este artigo representa. É muito mais do que um conjunto de memórias: são vivências, amizades, concertos, irreverência e até encontros com alguns dos intérpretes dessas bandas. Foi um tempo que nos marcou de forma indelével e que definiu, à sua maneira, uma geração.

Mais do que rebeldia, havia uma forma própria de agitar a espuma dos dias. De questionar, experimentar, provocar e, sobretudo, viver.

E só agora, ao ler este artigo, percebi finalmente de onde surgiu o tema “Autocarro das Sete!”, dos Tu Metes Nojo. Há memórias que ficam adormecidas e que, de repente, uma frase, uma fotografia ou uma música consegue despertar.

Recordar é viver. E Coimbra… Coimbra tem sempre outro encanto.

https://coimbracoolectiva.pt/historias/tu-metes-nojo-a-banda-que-coimbra-ainda-nao-teve-coragem-de-repetir/

sábado, 1 de agosto de 2026

leitura«s» de sábado à tarde....


No meio da rotina de sábado, há um ritual que se mantém: a leitura, em papel, do Público.

Hoje, valeu especialmente a pena pela crónica de São José Almeida, que toca num dos pontos mais sensíveis da política recente. Há frases que dispensam comentários, como esta: "não tem dimensão, nem espessura ética e política para ser ministro."

Parabéns à autora por uma análise lúcida e incisiva.

Já agora, aproveitem a edição de hoje: além de uma boa leitura, traz também os óculos para observar o eclipse solar da próxima semana.

Com ou sem óculos, há verdades que continuam bem visíveis. E a de um quase ex-ministro que acabou por gozar com todos nós é, infelizmente, uma delas.