Há artigos que não se leem apenas com os olhos. Leem-se também com a memória.
Hoje de manhã, recebi de uns amigos de Coimbra este artigo da Coimbra Coolectiva, que revisita uma parte de uma Coimbra que muitos de nós vivemos intensamente durante a década de 90.
Para quem lá estudou e cresceu nessa época, a música fazia parte do nosso quotidiano, da nossa identidade e, sobretudo, do nosso coletivo. Crescemos a ouvir e a assistir aos concertos de bandas punk, góticas, rockabilly e tantas outras, muitas vezes em espaços improváveis e em ambientes que, para alguns, poderiam parecer desconcertantes.
Ao ler o artigo, fui inevitavelmente levado de volta a esses anos. Recordei, entre tantas outras histórias, um concerto que organizámos durante umas eleições para a Associação de Estudantes da Escola Infanta D. Maria. E recordei também alguns dos rostos, músicos e personagens que fizeram daquela Coimbra um lugar tão singular.
Quem viveu, como eu, aqueles anos em relativa liberdade, saberá interpretar o que este artigo representa. É muito mais do que um conjunto de memórias: são vivências, amizades, concertos, irreverência e até encontros com alguns dos intérpretes dessas bandas. Foi um tempo que nos marcou de forma indelével e que definiu, à sua maneira, uma geração.
Mais do que rebeldia, havia uma forma própria de agitar a espuma dos dias. De questionar, experimentar, provocar e, sobretudo, viver.
E só agora, ao ler este artigo, percebi finalmente de onde surgiu o tema “Autocarro das Sete!”, dos Tu Metes Nojo. Há memórias que ficam adormecidas e que, de repente, uma frase, uma fotografia ou uma música consegue despertar.
Recordar é viver. E Coimbra… Coimbra tem sempre outro encanto.
https://coimbracoolectiva.pt/historias/tu-metes-nojo-a-banda-que-coimbra-ainda-nao-teve-coragem-de-repetir/
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