quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vacina-te contra a generalidade!!!

Sobre a novela da Jovem que morreu com o Sarampo, apraz-me dizer que viver em democracia, possibilita que todos os cidadãos tenham o direito à sua opinião, mas isso, não invalida, que não tenham o dever de pensar e ponderar no que dizem… 
Lembro-me que no primeiro caso de estudo, de análise psicológica que tive na faculdade, em que relatava um caso traumatizante de uma família que tinha perdido um filho, porque lhe tinha sido administrada uma vacina “estragada” e por essa razão não queriam que ao filho, recém-nascido, lhe fosse administrada qualquer vacina! 
A vida faz-nos generalizar e, por vezes, confundir ou ignorar que um caso é um caso. A Prudência é amiga e boa conselheira! Haja saúde pública e pudica! Vamos opinar menos e fazer mais! Não se esqueçam que aqueles pais devem estar num profundo sofrimento... 

sábado, 25 de março de 2017

Outros Futebóis...

Quando o futebol era a preto e branco... 



(Avô Joaquim Heitor - Sportinguista- e Zeca Carvalho - Portista). 

terça-feira, 21 de março de 2017

Hoje é dia da Poesia

Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é um diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
Para que tu as ames comigo:
A juventude, o vento e as areias.


Em “Até Amanhã” de Eugénio de Andrade

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Senhor do Adeus

Quando em 1998 fui viver para Lisboa na minha rotina diária/académica passava pela Avenida do Restelo em direcção à Avenida da Torre de Belém, nesse cruzamento, via ao final da tarde um Senhor de óculos pretos e de cabelos brancos que acenava constantemente, dizia Adeus a todos que por lá passavam.

Não sei o porquê, mas sempre que por lá passava, quase sempre o via, dizia eu para os meus botões: “Boa Tarde Sr. Woody Allen do Restelo!”. Longe de imaginar que esta personagem gostava de cinema.
Passados alguns anos, passei a vê-lo, diariamente junto ao Saldanha! Deixei Lisboa em 2010 e nunca mais o vi! Soube recentemente que também em 2010 o Senhor do Adeus, nos tinha deixado, talvez a “A Deus” se tenha entregado.

O Senhor do Adeus” chamava-se João Manuel Serra. Pelo que parece não era pintor, músico, escritor, nem poeta e muito menos homem de grandes paixões… Porém, toda a gente o conhecia e, mais importante do que isso, toda a gente o adorava. Quem passava pelo Saldanha, encontrava um homem que combatia a solidão com a doçura de dizer adeus.


Assim ficou conhecido. Parabéns aos Lisboetas que ontem souberam o homenagear e pelo que parece até uma lápide, foi colocada no Saldanha, na zona onde habitualmente acenava aos automobilistas.


Um homem vulgar que ficará na memória de muitos. Quando a simplicidade é contagiante nas nossas vidas, ou como escreveu Fénelon “ A simplicidade é uma rectidão da alma que corta qualquer volta inútil sobre si mesma e sobre as suas acções.”, os pequenos nadas tornam-se enormes!



sábado, 7 de janeiro de 2017

Bem-haja Camarada Soares


Acabei de saber que o Dr. Mário Soares faleceu. A notícia não me causa surpresa uma vez que o seu estado de saúde há muito que anunciava este fim terrestre. A sua vida foi controversa, mas de uma entrega única à causa pública.

Soares começou por lutar contra o fascismo para, de seguida, impedir uma outra ditadura (comunismo). Foi com ele que este país estabilizou e foi ele que permitiu e proporcionou o exercício da democracia no nosso país.

Soares abriu-nos as portas da Europa e varreu um país atrasado e ostracizado!

Com ele aprendemos a não ter medo, a sua luta foi constante e, mesmo nas derrotas, mostrou que vale sempre a pena lutar!

Nos últimos anos da sua vida alertou para os novos perigos do país e do mundo.

Nas entranhas de tudo isto, Soares, foi um estadista, um democrata, um combatente.

“Soares é Socialista, Republicano e Laico.”

Soares é fixe! Soares é eterno!

Bem-haja Camarada!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O momento!

"Ninguém morre de véspera"
de Seixas da Costa

Regressemos ao final de 2015, ao momento em que António Costa surpreendeu o país com o acordo parlamentar que proporcionou a "geringonça" que nos tem governado. Lembremo-nos do tom patibular de Cavaco Silva, da deselegância política com que reagiu ao entendimento parlamentar que reconduziu a esquerda ao poder. Recordemos o "roadshow" revanchista que a antiga maioria promoveu pelo país, tentando incendiá-lo politicamente contra a nova solução governativa. Elenquemos as "cassandras" (nas quais me incluo) que davam por certa a incompatibilidade entre socialistas e os companheiros da "frente popular". Tenhamos presente as previsões que garantiam que Bruxelas, que detesta ver a "esquerda da esquerda" perto do poder, iria fazer vergar o primeiro orçamento, esmagar com sanções o défice herdado dos seus "amigos" e criar uma guerrilha permanente que transformasse este num verão em que do calor não resultassem só incêndios. E quantos não foram, à pressa, reler a detestada Constituição, tentando perceber os meses que faltariam para que o futuro presidente de direita dissolvesse o Parlamento, convocasse eleições e retornasse os seus ao poder?

O futuro é sempre mais imaginativo do que os homens. A maioria, embora sacudida pela chantagem do sindicalismo paleolítico e por umas flores legislativas "fraturantes" que a sua natureza obrigou a adotar, demonstrou uma inesperada capacidade para trabalhar em conjunto. Com maior ou menor esforço e sucesso, ultrapassou algumas crises, como a dos contratos de associação com o ensino privado, polémicas de conjuntura, como a demissão de João Soares ou os governantes "voadores", ou ratoeiras herdadas do passado, como o Banif ou a Caixa.

A crise das (não) sanções acabou por gerar um momento de indignação nacional, que atrapalhou a oposição e colocou o país atrás de António Costa. O Euro futebolístico acabou por reforçar o otimismo com que o sorriso do primeiro-ministro tem vindo a acalmar um país que, em boa medida, viveu estes meses num surto de alguma esperança, de recuperação de rendimentos e de uma "oxigenação" salutar do seu quotidiano.

Seria de uma grande injustiça não pôr também a crédito do novo presidente da República uma fatia importante da descrispação que o país atravessa. Mas não nos iludamos. Por muito boa vontade que Rebelo de Sousa pudesse ter, se tudo se tivesse desconjuntado, por exemplo, em matéria de finanças europeias, as coisas não estariam como estão.

Em perspetiva, há que convir que a "geringonça" soube ultrapassar os grandes testes com que foi confrontada. Até ver, a avaliar pela nervoseira raivosa que provoca nos seus opositores, saiu "melhor do que a encomenda". O futuro? É só amanhã! Ninguém morre de véspera.