segunda-feira, 29 de maio de 2017
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Na muche!
Por muito certeiro que fosse, não diria melhor... Uma análise limpa e elucidativa, "na muche"... por Miguel Sousa Tavares (leitura obrigatória)!
(Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia)
"Ouvir Maria Luís Albuquerque a querer dar lições de economia ou finanças públicas a este Governo (ou a qualquer outro); ouvi-la prever catástrofes, em tom catedrático, e depois, quando as anunciadas catástrofes se revelam afinal sucessos, reclamar para si os louros dos mesmos; ouvi-la criticar as políticas de contenção de despesa pública que anunciou fazer e não fez e preconizar agora o contrário daquilo que defendeu quando no Governo, tudo isso me tira do sério.
Ouvir a desfaçatez com que o governante cujas decisões mais caras nos saíram desde o 25 de Abril pretende dar sermões morais sobre o dinheiro mal gasto dos contribuintes é puro desplante. Ver quem (juntamente com Carlos Costa e Passos Coelho) espetou mil milhões no Banif, para no fim essa banqueta insular ir à falência e custar mais três mil; quem andou anos a fio a assistir impavidamente ao acumular de prejuízos na Caixa Geral de Depósitos; quem se decidiu a experimentar a receita (até hoje, única) de espetar cinco mil milhões na Resolução do BES e na criação do Novo Banco (que rapidamente tratou de os fazer desaparecer), vir agora chorar pelos contribuintes que serão prejudicados pela prorrogação do prazo de pagamento dos quatro mil milhões que o Estado lá meteu pelo Fundo de Resolução (e cuja exigência de pagamento agora levaria à falência o que resta de banca), é verdadeiramente gozar com a nossa cara. Ver a senhora cuja teimosia em enfrentar o Santander na questão dos swaps nos custou mais umas centenas de milhões de euros atrever-se a falar em más decisões contratuais por parte do actual Governo, reflecte bem o seu sentido de responsabilidade política. Ver a senhora que, juntamente com Vítor Gaspar e Passos Coelho, conduziu políticas que forçaram a falência de milhares de empresas viáveis, que mandou para o desemprego 400 mil pessoas e metade disso para a emigração, ter a suprema lata de vir reclamar, por pretensas reformas que não fez, a paternidade da queda da taxa de desemprego abaixo da marca dos 10% e a criação de 120 mil postos de trabalho desde que tivemos a felicidade de nos vermos livres do Governo de que a senhora fazia parte, é apostar na amnésia colectiva. Se tivesse um pingo de pudor político, já se teria há muito calado de vez ou teria emigrado daqui — lá para onde os seus revelados talentos de economista sejam reconhecidos, como fez o seu antecessor. E se o PSD ainda conseguisse manter alguma lucidez de espírito no meio do desnorte em que navega, há muito que a teria reduzido ao silêncio, em lugar de a manter como porta-voz do partido para as questões económicas. Quantos portugueses imagina o PSD que votariam agora num governo chefiado por Passos Coelho, com Maria Luís Albuquerque a ministra das Finanças, Rui Machete a ministro dos Estrangeiros, Miguel Relvas a ministro da Presidência, e por aí fora?
Compreendo que não seja fácil a posição do PSD. Para começar, em circunstâncias bem difíceis, conseguiu ganhar as eleições mas viu-se desapossado do poder que já festejava por uma jogada de mestre de António Costa e uma insólita conspiração de contrários. Mas foi também assim, recorde-se, alinhando numa ainda mais antinatural conspiração de contrários, que PSD e CDS chegaram ao poder, derrubando o Governo do PS. Depois, todas as previsões de desastre anunciadas pelo PSD, o Diabo encomendado por Passos Coelho, o insucesso “matematicamente” garantido por Maria Luís Albuquerque no cumprimento dos 2,5% de défice previstos pelo actual Governo e a anunciada inevitabilidade de um orçamento rectificativo, algures a meio de 2016, tudo saiu, não apenas furado, mas ridicularizado. O défice foi de 2%, o mais baixo da democracia (com o saldo primário mais alto da zona euro); ao contrário do que aconteceu com todos os orçamentos do Governo PSD-CDS, não houve necessidade de qualquer orçamento rectificativo por desacerto entre as previsões e a execução; e, quanto ao Diabo, estamos assim, actualmente: a maior taxa de criação de emprego da zona euro e o a terceira maior taxa de crescimento do PIB na Europa. Enfim, e mais traumático do que tudo, deve ser perceber que isto aconteceu devido a uma combinação entre as medidas virtuosas que o anterior Governo anunciou e não fez (a contenção da despesa pública, que substituiu pelo “enorme aumento de impostos”) e a adopção de outras medidas que eles haviam jurado estarem erradas, como a aposta no relançamento do consumo privado, através da devolução parcial de alguns dos rendimentos mais baixos, que o anterior Governo cortara. Ou seja: de fio a pavio, os factos e os números (que valem bem mais do que os estados de alma ou as promessas eleitorais) provaram que a política económica do anterior Governo estava errada e foi um desastre para o país e para a vida concreta de milhões de portugueses. Não o reconhecer, não aprender com os factos e manter o mesmo discurso, pretendendo ainda que os portugueses lhes reconheçam os méritos das melhoria da conjuntura devido a ter-se feito exactamente o oposto do que preconizavam, ou é desespero ou é má fé.
É certo que a conjuntura internacional, em parte, tem ajudado este Governo. Mas também ajudou antes: o petróleo estava igualmente barato, o BCE já comprava dívida portuguesa, as taxas de juro estavam igualmente baixas para os privados e o Estado estava protegido da sua subida pelas condições do resgate da troika e dispondo ainda dos 78 mil milhões que esta nos havia emprestado (e que poderiam e deveriam ter sido usados para sanear a tempo a banca). Não, o que falhou foram as políticas e a teimosia, feita altivez, em insistir nelas e “ir ainda além da troika”, logo que se começou a verificar o efeito devastador que elas tinham sobre toda a economia. Como então aqui escrevi, quem tinha falido era o Estado e, para acorrer à falência do Estado, liquidou-se a economia, sem ao menos reformar o Estado — garantindo aquilo que Paulo Portas havia solenemente prometido: que no final do mandato teriam criado condições para que Portugal nunca mais tivesse de pedir para ser resgatado. Esse perigo mantém-se, porque, infelizmente, também não é este Governo, dependente de dois partidos que só pensam em aumentar a despesa pública, que irá reformar a administração pública e as mentalidades. Em estado de necessidade, quase em rigor mortis, como estávamos em 2011, Passos Coelho e Paulo Portas tinham as condições e o dever de o fazer — o país, grande parte dele, tê-lo-ia compreendido e aceitado. Mas não o fizeram e raras vezes se pode reescrever a história. Hoje, quando o próprio FMI e a Comissão Europeia reconhecem os erros cometidos em Portugal e na Grécia, a posição de trincheira do PSD não tem nada de estóico, apenas teimosia irracional e orgulho suicidário.
É verdade que Passos e Portas governaram em condições de extremas dificuldades — herdadas e que a sua estratégia ainda agravou mais. Mas também isso não serve de desculpa, pois eles quiseram governar, sabendo ao que iam. No momento em que os dois partidos da direita se juntaram aos dois de extrema-esquerda para chumbarem o PEC4 de José Sócrates (que fora aprovado em Bruxelas e Berlim), eles sabiam três coisas: que a única alternativa que restava era um pedido de resgate à troika; que José Sócrates se demitiria; e que era muito provável que, nessas condições, PSD e CDS ganhassem as eleições e assumissem o governo. Não foram, pois, ao engano nem por sacrifício patriótico: foram por vontade de poder. O que é legítimo, mas não pode depois ser usado como desculpa para as dificuldades da governação."
(Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia)
terça-feira, 25 de abril de 2017
25 de Abril, Sempre!
Discurso do 25 de Abril
– Sessão Solene - (Mêda – 25 de Abril de 2017)
25 de Abril, Sempre!
É
com este propósito que tendencialmente terminamos os nossos discursos sobre a
Revolução de Abril. Poderia ser ousado e tentar descrever o início de um
acontecimento pelo fim, mas será impossível apagar a história ou recriar outras
interpretações, daquela que foi a génese da nossa democracia. Foi precisamente
há 43 anos que homens determinados, através do Movimento das Forças Armadas
resgataram a Liberdade dos meus avós, dos meus pais e de outros que, como eu,
viriam nascer em democracia, em liberdade e com a esperança de um mundo melhor.
Com mais oportunidades, com mais esperança, com as portas abertas para a Europa
e para o Mundo.
Mas
o caminho que foi feito, nestes 43 anos, foi um caminho com percalços, com hesitações,
com medos, mas com a certeza que valeu bem a pena chegar aqui!
É
com a certeza que muito devo aos capitães de Abril, e que tenho de agradecer a
esses heróis que lutaram para que hoje, possa estar aqui, livre e com o direito
à palavra, no mais elementar exercício cívico. Não poderei ignorar os homens e as
mulheres que lutaram e proporcionaram uma constituição, que nos garantiram os
mais elementares direitos à dignidade humana e definiram uma identidade
cultural vanguardista e digna dos tempos modernos.
Assim,
presto a mais sentida homenagem aos constituintes da II República, que nos ofereceram
um país mais justo, mais fraterno e mais livre.
É
certo que nasci depois da Revolução de Abril, não vivi, nem combati Salazar ou
Marcelo Caetano, mas não posso ignorar a memória colectiva de um país que se
transformou, um país que viveu a mais dura das ditaduras, com uma guerra
colonial estapafúrdia, onde irmãos combatiam outros irmãos, um povo que vivia
na miséria, em que os níveis de iliteracia batiam recordes, onde a educação e a
saúde eram um privilégio para poucos, onde as mulheres eram constantemente discriminadas.
A
religião não era livre, o laicismo era pecado, a orientação sexual era
reprimida, as artes eram coartadas, a liberdade jornalística não existia, a
modernidade e a urbanidade estavam nos antípodas da nossa imaginação.
A
acção social era inexistente, confundia-se caridade com solidariedade, dos mais
novos aos mais velhos tudo era misericordiosamente negado. O trabalho infantil
era constante, a longevidade da nossa população não ultrapassava os 68 anos, os
idosos morriam sem as mais elementares condições de salubridade.
A
emigração era o encorajamento para fugir a um Portugal cinzento, ostracizado e
retrogrado. Fugir à miséria, ao flagelo da guerra colonial, à opressão dos
patronos que exploravam selvaticamente os seus operários, onde os direitos
laborais estavam longe de estar consagrados. Foi através do assalto para terras
como a França que homens deixavam os seus filhos e tudo o que de mais precioso
tinham, para descrever esta triste sina, citaria Rosalia de Castro, com o
cantar de emigração:
Este parte, aquele parte e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens que possam cortar teu pão
Tens em troca órfãos e órfãs, tens campos de solidão.
Tens mães que não têm filhos, filhos que não têm pai.
Coração que tens e sofre, longas ausências mortais.
Viúvas de vivos mortos, que ninguém consolará.
Hoje
o país é outro, mas ainda longe da utopia de Abril, muito haverá por fazer,
corrigir os erros, combater as assimetrias, decretar, orientar, planear,
reformular uma administração mais eficaz e eficiente.
Há
muito por fazer para que a coesão territorial possa efectivar-se, é certo, que
hoje temos a esperança de um novo governo, mais sensível, mais ousado, mais
justo e mais solidário… A austeridade foi substituída por equidade social, a
obsessão dos números foi trocada por melhores níveis de emprego, as contas
mostraram robustez e conseguiu-se um défice que surpreendeu tudo e todos, até
os mais cépticos se calaram e os níveis de confiança dos portugueses registam
valores positivos há muito inalcançáveis.
Cumprir
Abril é respeitar a Constituição, respeitar os trabalhadores, os mais pobres e
os menos protegidos. Porém, existem dois terços do território que esperam por
mais oportunidades, por mais justiça fiscal, por mais atenção com aqueles que
teimosamente resistem em viver no Interior deste País.
A
criação da unidade de missão para a valorização do Interior, levada a cabo por
este governo, com as suas 164 medidas, são um sinal, uma espécie de luz ao
fundo do túnel, no entanto, é necessário mais e se hoje temos a reabertura de
serviços que anteriormente foram sem critérios encerrados, podem transformar-se
num baluarte para que as novas gerações possam querer investir e fixar-se neste
território.
Mas
é preciso, continuar a caminhar sem demagogias e populismos fáceis, aqueles que
semeiam facilidades e mostram no radicalismo demagógico, o abutrismo do poder,
irão certamente colher desilusões e fracassos, pois é inevitável que hoje as
consciências cívicas estão despertas, atentas e informadas.
Se
após a revolução, em tempos do PREC, foi necessário pôr em marcha a politica
dos 3 D´s (Descolonizar, Democratizar e Desenvolver), hoje, no Interior do
País, são necessários outros três D´s:
Devolver,
Defender e Desenvolver.
Devolver
a esperança e dinamismo ao Interior, através da Descentralização;
Defender
a nossa identidade, os nossos costumes e os nossos produtos;
Desenvolver
oportunidades de negócio e de economia;
Só
assim é que será possível continuar o caminho que há 43 anos se iniciou. Só
assim a equidade social se tornará efectiva.
Desde
os meus 18 anos que neste dia uso o cravo na lapela, acordo com músicas de José
Mário Branco, do Adriano Correia, do Zeca, do Sérgio Godinho e de tantos outros
que nos ajudam a reviver esses tempos de esperança, que nos fazem acreditar num
mundo melhor e num país mais próspero.
Mas
hoje, não poderei deixar de registar que é um dia diferente, a minha filha
Maria Francisca, com 5 anos, quis livremente vir assistir às cerimónias solenes
do 25 de Abril, pois também ela já percebe que hoje é um dia de celebração, dia
de cantar o “Somos Livres” (uma Gaivota voava, voava) que ela tão bem sabe
desde os 2 anos. Este é o exercício que cabe a todos aqueles que não viveram a
Revolução, tenham o sentido de recriar e de lembrar que valeu bem a pena, e
chegados aqui, não podemos voltar para trás, por isso, vamos fazer o que ainda
não foi feito.
Termino,
com palavras de José Jorge Letria, para não esquecer que o 25 de Abril é o Dia
da Liberdade:
Este dia é um canteiro
com flores todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de Abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afecto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo tecto.
Viva
a Democracia, Viva a Mêda, Viva Portugal!
25
de Abril, Sempre!
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Contra Le Pen, marchar, marchar, marchar…
Contra Le Pen, marchar, marchar,
marchar…
As eleições Presidenciais em
França têm leituras para todos os gostos. A minha é que para quem queria que Marine
Le Pen não passasse à segunda volta, teve um enorme amargo de boca. Os apoiantes
de Fillon e Mélenchon, que esperavam que as empresas de sondagens estivessem
erradas, tiveram uma enorme decepção.
Mas o que resta destas eleições? O
que resta é que a França, uma vez mais, irá erguer-se perante o perigo de Le
Pen, o seu antieuropeísmo, a xenofobia e anti-imigração, proporcionando a
Macron a união dos “povos” de França e a sua eleição será certa.
Mas para todos os analistas políticos,
que defendem o fim da social-democracia francesa, pronunciando-se sobre o início
do fim do Partido Socialista Francês, desenganem-se, lembro-me que em 2012,
quando Lionel Jospin não passou à segunda volta, muitos vaticinaram o fim ou o
caos que nunca aconteceu.
Hamon pagou a factura de Hollande,
e Macron descolou-se atempadamente de Valls. Isto são as tácticas que a política
exige, para que o sucesso eleitoral não possa fugir. Mas para mim a politica
sem a veracidade e a pureza humana é um péssimo exercício cívico, uma autêntica
patranha sem interesse…
É certo que os republicanos
(gauleses) e socialistas estarão juntos na segunda volta, preparando a terceira
e quarta ronda que são as próximas eleições legislativas e regionais.
Aos meus camaradas socialistas,
que comparam o Partido Socialista Francês ao PASOK, ou ao PSOE, ou mesmo aos socialistas
holandeses, quero relembrar que nas últimas eleições presidenciais, o único
candidato socialista chamava-se Maria de Belém Roseira e teve uns míseros 4%. Poderão
dizer que muitos socialistas apoiaram Sampaio da Nóvoa, certamente que em
França houve muitos socialistas que votaram Macron, fazendo com que Hamon não tivesse
chegado aos dois dígitos. O PS não acabou e hoje está mais robusto, sendo o
partido que os portugueses mais confiam, mas isso teve um segredo, um líder forte
(António Costa) com uma estratégia de quebrar tabus e retirar a austeridade do léxico
político português.
A social-democracia está em
crise, o populismo e o extremismo ganham escala, mas são momentos como estes
que nos fazem acreditar que o socialismo democrático é o melhor para todos os
males…
Vive la Liberté, Égalité e la
Fraternité!
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Vacina-te contra a generalidade!!!
Sobre a novela da Jovem que morreu com o Sarampo, apraz-me dizer que viver em democracia, possibilita que todos os cidadãos tenham o direito à sua opinião, mas isso, não invalida, que não tenham o dever de pensar e ponderar no que dizem…
Lembro-me que no primeiro caso de estudo, de análise psicológica que tive na faculdade, em que relatava um caso traumatizante de uma família que tinha perdido um filho, porque lhe tinha sido administrada uma vacina “estragada” e por essa razão não queriam que ao filho, recém-nascido, lhe fosse administrada qualquer vacina!
A vida faz-nos generalizar e, por vezes, confundir ou ignorar que um caso é um caso. A Prudência é amiga e boa conselheira! Haja saúde pública e pudica! Vamos opinar menos e fazer mais! Não se esqueçam que aqueles pais devem estar num profundo sofrimento...
sábado, 25 de março de 2017
Outros Futebóis...
Quando o futebol era a preto e branco...
(Avô Joaquim Heitor - Sportinguista- e Zeca Carvalho - Portista).
terça-feira, 21 de março de 2017
Hoje é dia da Poesia
Até Amanhã
Sei agora como nasceu a alegria
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é um diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
Para que tu as ames comigo:
A juventude, o vento e as areias.
Em “Até Amanhã” de
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
É Carnaval ninguém leva a mal...
" Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram. No Carnaval desmascaram-se." Vergílio Ferreira
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
O Senhor do Adeus
Quando em 1998 fui viver para Lisboa na minha rotina diária/académica passava pela Avenida do Restelo em direcção à Avenida da Torre de Belém, nesse cruzamento, via ao final da tarde um Senhor de óculos pretos e de cabelos brancos que acenava constantemente, dizia Adeus a todos que por lá passavam.
Não sei o porquê, mas sempre que por lá passava, quase sempre o via, dizia eu para os meus botões: “Boa Tarde Sr. Woody Allen do Restelo!”. Longe de imaginar que esta personagem gostava de cinema.
Passados alguns anos, passei a vê-lo, diariamente junto ao Saldanha! Deixei Lisboa em 2010 e nunca mais o vi! Soube recentemente que também em 2010 o Senhor do Adeus, nos tinha deixado, talvez a “A Deus” se tenha entregado.
O Senhor do Adeus” chamava-se João Manuel Serra. Pelo que parece não era pintor, músico, escritor, nem poeta e muito menos homem de grandes paixões… Porém, toda a gente o conhecia e, mais importante do que isso, toda a gente o adorava. Quem passava pelo Saldanha, encontrava um homem que combatia a solidão com a doçura de dizer adeus.
Assim ficou conhecido. Parabéns aos Lisboetas que ontem souberam o homenagear e pelo que parece até uma lápide, foi colocada no Saldanha, na zona onde habitualmente acenava aos automobilistas.
Um homem vulgar que ficará na memória de muitos. Quando a simplicidade é contagiante nas nossas vidas, ou como escreveu Fénelon “ A simplicidade é uma rectidão da alma que corta qualquer volta inútil sobre si mesma e sobre as suas acções.”, os pequenos nadas tornam-se enormes!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
sábado, 7 de janeiro de 2017
Bem-haja Camarada Soares
Acabei de saber que o Dr. Mário Soares faleceu. A notícia não me causa surpresa uma vez que o seu estado de saúde há muito que anunciava este fim terrestre. A sua vida foi controversa, mas de uma entrega única à causa pública.
Soares começou por lutar contra o fascismo para, de seguida, impedir uma outra ditadura (comunismo). Foi com ele que este país estabilizou e foi ele que permitiu e proporcionou o exercício da democracia no nosso país.
Soares abriu-nos as portas da Europa e varreu um país atrasado e ostracizado!
Com ele aprendemos a não ter medo, a sua luta foi constante e, mesmo nas derrotas, mostrou que vale sempre a pena lutar!
Nos últimos anos da sua vida alertou para os novos perigos do país e do mundo.
Nas entranhas de tudo isto, Soares, foi um estadista, um democrata, um combatente.
“Soares é Socialista, Republicano e Laico.”
Soares é fixe! Soares é eterno!
Bem-haja Camarada!
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
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