sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Imaginação
que nos faz inventar, sonhar e viajar.
Com imaginação podemos ir a Marte
ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.
Com imaginação nunca estamos sozinhos.
A imaginação é um voo, um lugar
onde temos amigos, onde há outros caminhos
nos quais, sem te mexeres, podes ir passear.
Inventa uma cantiga, um poema, um desenho
um arco-íris, um rio por entre malmequeres;
esse lugar é teu, sem limite ou tamanho.
A esse teu lugar, só vai quem tu quiseres.
Rosa Lobato Faria
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
António Sérgio, até sempre...
A sua voz eloquente, rouca e com uma extraordinária colocação, fizeram dele um caso único, nas escolhas e nas novidades sonoras que fizeram de António Sérgio um ícone das últimas décadas pela marca que imprimiu às escolhas musicais de várias Gerações.
Na Comercial e mais recentemente na Radar, ouvi nos seus programas sonoridades que marcam as minhas escolhas e definiram o meu gosto musical.
Ao longo da década de 90, aprendi a gostar de Grunge e bandas como Dinossauro Jr., Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Stone Temple Pilots, L7, Hole, entre outras. Ao longo desta década de 90, aprendi a gostar de outras sonoridades, de Bristol vieram outras bandas para os nossos ouvidos, desde Portishead, Massive Attack, Goldfrapp, Air, Hooverphonic, Kid Loco, Gus Gus, Jay-Jay Johanson, Gotan Project, DJ Shadow, Moloko Lamb, Moloko, Zero 7, entre muitas.
Ao longo desta última década, António Sérgio passou nos seus programas belas sonoridades, novas tendências conjugadas à electrónica e seus derivados, proporcionando uma sonância colorida e independente a todos os seus ouvintes.
Enfim, António Sérgio era o “lobo radiofónico” e o seu timbre fazia-o “único”.
Não sei se o António sabia cantar, mas o seu vozeirão era excepcional e por isso deixem-me apelidá-lo do Tom Waits da Rádio Portuguesa.
Este dia, marca o fim de um ídolo de muitos, que com ele aprenderam a ouvir e a seguir grandes bandas e músicos que marcaram diferentes gerações.
Para o António Sérgio, até sempre…
domingo, 25 de outubro de 2009
As fraquezas da nossa Democracia...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Uma Escola...
Será sempre difícil para um político poder desligar-se dos mecanismos e automatismos que a mesma nos obriga. A visão de um pedagogo, é sempre um desafio diferente e terá uma perspectiva mais naturalista, contudo rendo-me ao texto de António José Seguro, porque não deixa de ser uma visão da qual tem um interesse na defesa de uma escola de todos e para todos, com a quimera necessária de que um dia a escola seja como Comenius a projectou “Ensinar tudo a todos”.
Cito:
Na escola ideal para os meus filhos “todos são filhos e não háenteados”. Todas as crianças são tratadas pelo seu nome. Há meninos emeninas de várias culturas e nacionalidades. As origens e os percursosde vida são conhecidos e partilhados. A diferença é cultivada evalorizada como uma riqueza da Humanidade. A diferença suscita acuriosidade, o interesse e o respeito. Ser diferente soma e une.Na escola os professores são referências. Pela sua visão do mundo,pelo que sabem, pela forma como transmitem o conhecimento, pela suadisponibilidade e pela sua dedicação, exclusiva, a ensinar a aprender.
Os professores são pessoas felizes e realizadas. São amigos.Na escola ideal ensina-se a aprender e a ter gosto em continuar aaprender ao longo da vida, dando expressão à ideia de Agostinho da Silva que a escola deve ser um local onde eu possa ir 24 horas pordia, 365 dias no ano, perguntar tudo o que não sei e poder conversarcom todas as outras pessoas que vão fazer o mesmo que eu.Na escola ideal não há apenas alunos e professores. Há pais e toda umaaldeia, uma vila ou uma cidade necessária para a educação de cada umadas crianças. Há professores e profissionais especializados.
Nesta escola não há muros nem grades divisórias. É integralmenteconstruída em paredes de vidro - bem no centro da cidade.
A escola é o coração do espaço público e os seus jardins e espaços verdesconfundem-se com a envolvente urbana. As vias pedonais atravessam aescola e o campo de recreio é visível por todos. Nesta escola aeducação cívica não substitui a educação devida pelos pais mascomplementa-a na busca de uma sociedade mais solidária. Não há temas tabus e a educação sexual é encarada com naturalidade.
Os comportamentos violentos, de discriminação e de bullying são abordadose discutidos por todos e a inclusão é explicada como forma de vida. Não se escondem as desigualdades sociais e explica-se abertamente porque razões existem e de que forma podemos corrigi-las. A escola ideal não reproduz a sociedade. Puxa pela sociedade. Vai à frente.Na escola ideal há livros que não param de chegar e que se juntam aosclássicos. Apreende-se a História do meu país e a Universal. Desenvolve-se a compreensão. Aprendem-se línguas. A língua portuguesaem primeiro lugar. Estimula-se o raciocínio, a criatividade e aimaginação.
As crianças não abandonam a escola sem saberem ler,escrever, contar e falar. A escola prepara para a vida. Para o mercadode trabalho, mas também a ser Homens e Mulheres. Profissionais empreendedores, competentes e cidadãos responsáveis.Uma escola exigente, com igualdade de oportunidades para todos, quenão deixe ninguém para trás e que garanta condições de afirmaçãoindividual das competências de cada aluno.Uma escola com tempo para aprender, para praticar desporto, brincar econviver. Uma escola que promove as ideias e incentiva a critica. Que ensina a utilizar as novas tecnologias e nos envolve no mundo dasartes. Onde se aprenda que o ser é mais importante que o ter.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Coincidência ou Semelhança?
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Sócrates e Aquiles…
A política de Sócrates falha essencialmente no excesso da política de Guterres, o Diálogo.
Se Sócrates não fosse assaz arrogante e conseguisse explicar com alguma humildade aos Portugueses as suas reformas, de modo a que estes as entendessem, estaríamos certamente próximos de uma nova maioria absoluta.
Vejamos, como exemplo, esta última medida apresentada no programa eleitoral para as próximas legislativas, que consiste na promessa de uma “conta futuro“ de 200 euros por cada bebé que nasça. A informação, hoje avançada pelo porta-voz João Tiago Silveira, revela que o dinheiro será depositado em nome do bebé, podendo ser levantado quando o titular completar 18 anos.
Entretanto, até essa data, os pais poderão reforçar a conta, através de deduções fiscais, em muito semelhantes às estabelecidas para as contas Poupança Reforma.
Ora aqui está uma bela medida mas que tem o seguinte ónus, o porquê só agora, levando-nos a questionar porque não foi esta executada ao longo da legislatura ainda em vigor. Tal como inúmeras outras, para os Portugueses, em geral, esta iniciativa é vista como uma mera promessa eleitoral.
Sócrates perdeu, ou melhor não foi capaz de dialogar com o País ao longo destes 4 anos, colocando-se agora a seguinte dúvida:
Será que os portugueses estão interessados em ouvi-lo?
Mais do que socialista sou esquerdista, razão pela qual sou obrigado a reconhecer a capacidade reformista de Sócrates, o que faz de mim um defensor asserido das suas medidas. Não obstante, não partilho da forma como implementou as mesmas.
Sócrates é o primeiro-ministro que o país precisou, precisa e precisará para sair desta crise nacional e global, mas o seu problema comunicacional torna-se o seu “calcanhar de Aquiles ou língua de Aquiles” enquanto espera por uma resposta eleitoral.
sábado, 11 de julho de 2009
É URGENTE REPENSAR...
É urgente repensar, inflectir, para que se não cometa uma das maiores atrocidades paisagísticas no Douro Vinhateiro, com atenção particular ao ancião Vale da Veiga de Longroiva, junto à ribeira de Piscos.
« Esta planura ocupa o extenso "graben" que ali se formou. Durante mais de dois milénios aquele espaço foi destinado essencialmente ao pastoreio, mantendo um extenso baldio junto da ribeira. A partir de meados do século XIX tornou-se uma zona rica de vinhedos e de olivais, após a arrematação ou a ocupação abusiva dos baldios por parte de alguns senhorios. Quase no extremo norte do vale mantém-se ainda um testemunho do aproveitamento agro-pecuário, que a Ordem de Cristo aqui fez, conservado no nome da "Quinta do Chão de Ordem"».
A conclusão da construção do IP 2, que finalmente ligará as duas capitais de distrito Guarda e Bragança é, sem dúvida, uma via estruturante ao desenvolvimento destas regiões. No entanto, é importante repensar e inflectir sobre o que parece estruturante e vital, que no futuro se poderá revelar fatídico tornando-se numa “betãonizada”, afectando um dos vectores importantíssimos da região, o Turismo e o desenvolvimento agrícola.
A sua riqueza paisagística e todo o património envolvente, ficará atolado com a construção deste traçado rodoviário.
Reparamos já que houve alterações ao traçado inicial, tendo certamente funcionado influências como é prova o desvio à Quinta do Vale Meão.
Não vou incentivar desconfiança entre como e quem está adjudicar e concessionar os terrenos... Porém os interesses em cumprir prazos e a excessiva celeridade é, por vezes, um péssimo indicador e precipita a ignorância. Celeridade não é sinónimo de rigor, desconhecem-se os estudos efectuados, sobre o seu impacto ambiental, paisagístico, arqueológico, patrimonial...e quais os critérios impostos que levaram a este atropelo feroz e que certamente irão culminar na destruição de um dos mais belos lugares da nossa Região.
Infelizmente é impossível ver alguns Durienses, que já não habitam entre os mortais (Aquilino Ribeiro ou Miguel Torga ), levantarem-se contra este atentado certamente com a astucia de quem melhor sabe expressar o demais evidente, obrigando os agentes políticos envolvidos a repensar a atrocidade que estão a cometer.
Hoje, 11 de Julho, no salão nobre da Câmara Municipal de Mêda, o Secretário de Estado das Obras Públicas (Dr. Paulo Campos) e o Presidente da Câmara Municipal de Mêda (Dr. João Mourato) assinam provavelmente o atestado de óbito do Vale da Veiga.
Mais uma vez, o Sr. João Mourato nada faz, nada fez para impedir este traçado do IP 2. Este ficará certamente na história como um dos responsáveis por este assassinato, marcando-a como um inerte que nada faz para o bem do concelho da Mêda.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
25 de Abril... Sempre.
Estou decidido a escrever com maior regularidade, aproveito para expor a minha intervenção na sessão solene da Câmara Municipal de Mêda, relativa às comemorações do 25 de Abril.
Por incrível que pareça este ano o edil do município resolveu dar um ar de Homem de Abril, até cravo envergou na lapela.. Que Maria Madalena, tão arrependida... ele está.
Porque Será? Do Guaraná? Ou do vinho, da já extinta Adega Cooperativa da Mêda??
Ou pesa-lhe já a Consciência do mal que tem causado...e da perseguição que faz constantemente aqueles que não partilham das suas convicções...
O Mourato é uma espécie de iogurte fora do prazo....
( além de não ter sabor, já é um perigo para a saúde pública do nosso concelho.)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
SONETO ANTI COLONIALISTA de Joaquim Pessoa
Ah Diogo! Ah Cão! Em que deZaire
pretendes colocar o teu padrão?
El-rei morreu. As naus de clarear
são agora de um povo nosso irmão.
Dispensámos as balas e os escravos
e mais para diante navegámos.
Negreiros não. Dissemos sim aos cravos.
O mar não dói. E a terra não tem amos.
Ah Diogo! Ah Cão! Que resultado
esperavas deste povo a ver morrer
o seu corpo na farda de soldado?
Esta Nau do futuro há-de vencer!
Mas há cães que só ladram o passado
porque o presente é duro de roer!
Joaquim Pessoa
-A propósito de uma reportagem passada no canal 1, ontem à noite, sobre a (des)colonização...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
sugestao musical
Aqui em Bristol, encontram-se belas melodias, que contrariam um ambiente gelido, tipico da epoca que estamos; aqui fica uma dessas curiosidades, made in Bristol, os Gooldfrapp..."Utopia"
http://www.youtube.com/watch?v=OFp_e9shNWw
sábado, 2 de fevereiro de 2008
hey
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Fim do Verão
terça-feira, 31 de julho de 2007
Orphicus...porquê...
Com alguma mitologia presente neste espaço; todos os silêncios servirão de oráculo e à posteriori reflexão sobre a vida mundana que assistimos impotentes com sibilos cúmplices de pacto com outro lado nefasto da corte.
Orphicus será nada mais do que a sumptuosidade de Orpheu dos tempos modernos, galopando por sítios empedrados de vontades embriagadas, com melodias, que certamente nos irão encantar, com o sublime perfume de contagiar a assiduidade de todos nós.
Para quem desconhece Orpheu deixo uma breve sinopse, que servirá de introdução a este blogue…
“A música era um privilegiado, de entrar em contacto com os deuses. Acreditava-se mesmo que eles eram os inventores da música, como confirmam uma série de mitos, como o de Hermes, na mitologia grega, que, partindo em busca das vacas de Apolo, encontra uma corajosa tartaruga que caminha ao seu encontro. Ele tem uma ideia e diz à tartaruga: “Não serei como aqueles que só têm desprezo por ti. Vou extrair qualquer coisa de ti, de maneira a que, mesmo morta, ainda possas cantar!” Sem deixar sequer que ela solte um protesto, Apolo mata-a, vira-a do avesso, esvazia-a, corta algumas canas que fixa na carapaça, estende por baixo uma tira de pele de boi, arranja algumas tripas de cabra, sete, que transforma em cordas: do silêncio daquela carapaça saíram sons, a lira tinha nascido.
Orpheu aperfeiçoará este instrumento, que se tornará a cítara, acrescentando duas cordas suplementares. Com os seus dedos, o instrumento adquire o poder mágico de encantar todas as criaturas, transformando-as em animais ferozes, em plantas que se inclinam à sua passagem, em pedras que estremecem ao escutá-lo. Durante a expedição dos Argonautas ele acalma mesmo, graças ao canto, as vagas imparáveis de uma tempestade, seduz as temíveis Sereias, impondo a sua música à delas…”
Poderia continuar a descortinar outras passagens de cumplicidade com a sua amada Eurídice, ou/e focar histórias e personagens, que alteraram o seu instinto/comportamento, tais como:
- O cão Tântalo que não mordeu Orpheu;
- Sisífo, o mudo, que deixa de empurrar o seu rochedo;
- Danaídas, deixam de tirar água;
- Hades e Perséfone que emudecem;
Em suma, que uma bela melodia, só será mesmo eloquente, se não ocorrer uma nota em falso, já que, o silêncio, poderá ser fatal, tal como aconteceu a Orpheu….fugiu para sempre só.
Deixo a Sugestão de Marc de Smedt – “Elogio do Silêncio” (pág.58)
Não sei muito bem, no que isto vai dar, enfim….nada melhor do que iniciar uma caminhada com a sensação de Caos…
