Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!
Miguel Torga, in 'Diário IV'
domingo, 9 de junho de 2019
quarta-feira, 1 de maio de 2019
Atenção à navegação!!!
"Demos à PIDE/DGS férias no Vietname". Das frases para a eternidade, do 1º de Maio de 1974!
Depois vieram 45 anos, de:
quarta-feira, 24 de abril de 2019
Salgueiro Maia - 25-04-1974 01.00 am

«Há diversas modalidades de Estado: os Estados socialistas, os Estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui»
Salgueiro Maia - 25-04-1974 01.00 am
sábado, 13 de abril de 2019
Ler para não esquecer!!!
Alegre, Cavaco e as palavras
As palavras nunca são inócuas, mesmo quando parecem inócuas. As palavras são como setas. Depois de saírem da boca já não voltam para trás. As palavras tanto nos podem tornar melhores e maiores como nos tornar piores e mais pequenos. É por isso que o discurso político é tão importante. É que ele nos pode dar esperança mesmo em momentos muito difíceis ou quebrar-nos o ânimo quando precisamos de lutar.
O que Passos Coelho fez durante o seu mandato foi desmoralizar as tropas. Foi dizer-lhes, dizer-nos, que nós éramos os culpados por o país ter de pedir ajuda internacional. Tinha sido a nossa cupidez, a nossa desbragada vontade consumista, a inconsciência de vivermos acima das nossas possibilidades que nos tinha conduzido ao colapso. Não havia outras razões, não havia outras explicações. Não fôssemos nós a dar azo aos nossos menos nobres sentimentos e nada teria acontecido.
Passos precisava de tropas para o combate que iríamos enfrentar. Mas enquanto nosso general, o que começou por nos dizer é que éramos os culpados pela guerra. E disse-nos mais: que só saíamos disto empobrecendo. Ou seja, disse às tropas que íamos para a guerra – e que a íamos perder. E muitos de nós, demasiados, perderam mesmo: o emprego, os filhos que emigraram, os velhos que morreram por falta de medicamentos, as gravidezes que foram adiadas. Mas perderam sobretudo o ânimo para lutar e conformaram-se, resignaram-se à pobreza, a miséria, ao cinzentismo.
É a esse tema que Manuel Alegre, em entrevista publicada na edição de hoje do “Jornal de Negócios”, volta, não em relação a Passos Coelho, mas em relação a Cavaco Silva. Diz Alegre: “Os discursos do anterior Presidente da República tinham o dom de tornar as nossas almas mais pequenas, eram muito chatos, amarfanhantes, não havia um discurso inspirador, que desse horizonte (…)”. Ora os políticos, sobretudo em tempos difíceis, não nos devem esconder as dificuldades, mas não nos podem cortar a esperança. Winston Churchill fez isso durante a II Guerra Mundial, quando a Inglaterra lutava praticamente sozinha contra a Alemanha de Hitler; Mahatma Gandhi derrubou a dominação colonial britânica sobre a Índia com um discurso pacifista; e Nelson Mandela, apesar de ter passado quase 30 anos preso, manteve sempre a chama da liberdade acesa para o seu povo através das palavras. Infelizmente para nós, durante o programa da troika, nem Cavaco nem Passos fizeram um discurso que tornasse as nossas almas maiores do que são.
Como defende Alegre, Portugal foi feito por soldados, mas também por poetas, antes dos soldados. “Os grandes poetas portugueses tiveram sempre uma expressão cívica e o maior poema político de Portugal são ‘Os Lusíadas’”. E a fronteira entre Portugal e Espanha foi traçada também pela “língua portuguesa consolidada pela expressão poética inigualável de Camões”. Ora, mais do que tudo (e boas políticas e boas decisões ajudavam), o que falhou claramente durante o ajustamento foi um discurso mobilizador e de esperança, que trouxesse ao de cima as melhores características dos portugueses. Mas ele não existiu. Pelo contrário, o que foi proferido tornou-nos mais amargos, mais cínicos, mais mesquinhos, colocou jovens contra idosos, desempregados contra empregados, trabalhadores do sector privado contra trabalhadores do sector público. Não é possível contabilizar quanto nos tornou mais frágeis, mais descrentes, mais inseguros, como pessoas e como país, este tipo de discurso. Mas que tornou, tornou.
E é talvez por isso que está em curso uma revolta das palavras, com a poesia portuguesa a conhecer um novo fulgor, com o aparecimento de muitos e jovens poetas e a confirmação dos consagrados – porque, como diz Alegre, “a poesia é um contrapoder absoluto”. E as palavras dos poetas iluminam-nos e tornam-nos maiores do que somos.
Por (Nicolau Santos, in Expresso, 08/04/2016)
sexta-feira, 5 de abril de 2019
segunda-feira, 4 de março de 2019
Neto de Moura

Sobre este episódio "ridículo" do Juiz Neto Moura, vem-me à cabeça, em forma de analogia, o caso com mais de 52 anos da edição da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, de Natália Correia, com poemas de vários poetas, desde Ary dos Santos ao Luiz Pacheco...
Foi então, que em pleno Estado Novo, consideraram um escândalo literário que imediatamente foi apreendido e matéria de julgamento em Tribunal Plenário, acusado de ofender o “pudor geral”, a “decência”, a “moralidade pública” e os “bons costumes”. Foi o preço da liberdade!!! Em relação ao Neto Moura, é um caso de Psiquiatria!!!
" ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer"
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Passagem do Ano...
O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gesto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
Poema "Passagem do Ano", de Carlos Drummond de Andrade
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gesto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
Poema "Passagem do Ano", de Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Quando um Homem Quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relento numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
sábado, 3 de novembro de 2018
"Calem-se: o povo é quem mais ordena" de Miguel Sousa Tavares
Calem-se: o povo é quem mais ordena
1 Há uma conspiração de extrema-direita a nível internacional, muitíssimo bem pensada, bem planeada e que vem sendo executada passo a passo. Steve Bannon, ex-guru de Trump e despedido por ser demasiado inteligente e incompreensível para aquela fraca cabeça ruiva da Sala Oval, é o rosto mais visível, mas não único. Vestem-se de jeans, recuperam as poses do Village dos anos setenta, argumentam com algoritmos, alimentam o seu tumor no território fértil das redes sociais e no fanatismo religioso das igrejas evangélicas (que, no seu íntimo, desprezam profundamente) e pastoreiam o seu rebanho no novo lumpen-proletariado que a globalização criou nas sociedades afluentes. O medo de um futuro onde as pensões deixaram de estar garantidas, onde o vizinho moreno passou a ser um potencial terrorista, em que qualquer emigrante será uma ameaça ao Estado social, onde a máquina vai substituir o operário e onde a ordem natural das coisas será para sempre subvertida é o seu território de caça. E porque tudo isto é demasiado confuso e demasiado aterrorizador para ser enfrentado, a legião massificada dos aterrorizados e confusos refugiou-se na zona de conforto de um Deus capturado por vendilhões e das redes sociais servidas à medida dos seus medos, das suas raivas, das suas frustrações e dos seus ódios irracionais. E à exacta medida dos planos dos ideólogos contra a liberdade e a democracia. Dos indisfarçáveis fascistas. Que já não precisam de militares, nem de golpes nem de noites de facas longas. O Facebook e o WhatsApp servem-lhes tudo de bandeja e levam-lhes as ovelhas às mesas de voto, como cordeirinhos dóceis ao matadouro.
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
A propósito disto, e de um texto de que adiante falarei, lembrei-me de um belíssimo e perturbante filme de James Ivory, de 1993, baseado no livro de Kazuo Ishiguro, Man Booker Prize, “The Remains of the Day” (“Os Despojos do Dia”, na tradução portuguesa”). No filme, Lord Darlington (interpretado por James Fox) é um aristocrata inglês que organiza, no seu mannor de Darlington Hall, um jantar para um dignitário nazi, em 1935. Darlington, que depois seria exposto como simpatizante nazi, estava sobretudo incomodado por ver que as duas maiores potências europeias estavam à beira de ser arrastadas para uma guerra entre elas, quando as ruling classes de ambas tinham interesses comuns, que estavam a ser dinamitados pela demagogia insuflada nas classes populares e que, de forma trágica, tinham levado ao poder na Alemanha um
obscuro cabo chamado Adolf Hitler — um Bolsonaro com 80 anos de avanço. E, para melhor ilustrar o seu ponto de vista, a certa altura, Lord Darlington, à conversa com um amigo, chama o seu buttler (a figura central do filme, num magistral desempenho de Anthony Hopkins), e pergunta-lhe: “Tu sabes o que é a inflação?” E ele responde: “No, Sir”. E, fazendo um gesto, despedindo-o, Darlington comenta para o amigo: “Estás a ver? Este tipo, que não sabe o que é a inflação, tem direito a um voto, tal e qual como eu!”. Só falta querer retirar o direito de voto àqueles, como eu, que sabem o que é a inflação mas não frequentam redes sociais
Poderíamos chamar a isto o fardo das elites perante a democracia: um homem, um voto. Um princípio essencial, aliás, à natureza da própria democracia. Noutro contexto, o do colonialismo, Kipling falou do “fardo do homem branco” — qual seria o de “civilizar” os povos colonizados. Pois, a história deu as voltas que deu, muitas erradas e trágicas, outras ocasionais e curiosas, e é certamente ocasional e curioso que, por exemplo, a maior democracia do mundo, hoje, seja a Índia — onde Kipling situou o fardo do homem branco. O que isto nos parece dizer é que mesmo quando erradas nos seus valores — que, para sermos justos, deveremos sempre julgar no seu contexto de então e nunca no seu contexto actual — as elites, bem ou mal, cumpriram e cumprem um papel na consciência colectiva dos povos. Sendo um privilégio por origem, devem ser um fardo e um dever por obrigação. Demitindo-se de intervir, por temor ou por desfastio, são um privilégio sem sentido e sem razão de ser. Todos os que tivemos a sorte de estudar, de ler, de aprender, de reflectir, de saber “qual a cor da liberdade”, como escreveu Jorge de Sena, somos tributários do Infante D. Pedro, morto em Alfarrobeira. Morto pela cegueira da turba ignara, incendiada pela inveja dos medíocres, dos que alimentariam depois as fogueiras da Inquisição. Porque, meus caros amigos: quem queima livros não se liberta — suicida-se.
Bem, o dito texto é da autoria de João Miguel Tavares, o qual vai ficar felicíssimo por eu citar o seu nome, pois que vive à procura de quem lhe dê importância e relevância. Mas vale a pena ultrapassar isso porque esta citação o justifica: “Nós, as elites, não percebemos nada de nada… As elites artísticas, intelectuais, jornalísticas, têm de meter na cabeça de uma vez por todas que a sua influência sobre o povo, na hora do voto, é nula. Que os seus poderes de mediação e de persuasão, na era das redes, se evaporaram de vez”.
Eu não sei o que mais me dá vontade de rir — ou de sorrir de tristeza. Se é ver alguém autoarvorar-se em elite — uma daquelas coisas que, quando se é, não precisa de ser dita, e quando se diz, é porque não se é.
Se é vê-lo pensar que descobriu a pólvora, com o triunfo da multidão das redes sociais sobre as “elites” — isto é, aqueles que leram, que não se contentam em ser informados pelas “verdades” das redes sociais, que reflectiram — coisa sobre a qual (agora, peço eu desculpa) venho escrevendo há anos, com a qual José Pacheco Pereira começou por ser grande entusiasta antes de arrepiar caminho, e de que José Manuel Fernandes, menos inteligente, ainda continua entusiasta, e que Umberto Eco arrasou há tempos num texto demolidor. Ou, enfim, por vê-lo ir a correr, de corda ao pescoço, juntar-se à multidão das redes sociais a tempo de apanhar o último
vagão do comboio, proclamando, ofegante: “Eu estou convosco! Eu, membro da elite bem pensante, compreendo-vos. Compreendo o Bolsonaro, o Orbán, a Le Pen, o Salvini, o Trump, tudo, todos! Vocês são o povo e a função das elites é estar ao lado do povo”. É o pensamento profundo de Lord Darlington, drasticamente invertido por este nosso pensador profundo. Só falta querer retirar o direito de voto àqueles, como eu, que sabem o que é a inflação mas não frequentam redes sociais.
2 O juiz Sérgio Moro, o herói da Lava Jato, o Carlos Alexandre tropical, e que presumo que seja também um dos ídolos de referência de João Miguel Tavares, não resistiu ao convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça do seu governo. Com isso, não fez mais do que arrancar uma máscara colada com cuspo. Primeiro, mostrou que entre a magistratura e a política, a sua verdadeira ambição era a política e a primeira serviu-lhe de trampolim para a segunda. Depois, mostrou que não foi por acaso que, poucos dias antes do impeachment de Dilma, revelou uma escuta telefónica de uma conversa entre ela e Lula, sem qualquer relevância processual e em clara violação da lei, com o intuito claro de influenciar a votação do Congresso contra Dilma — assim como depois, a poucos dias da primeira volta das presidenciais, em nova e descarada violação do segredo de justiça, revelou parte da delação premiada do ex-ministro de Lula, Antonio Palocci, com efeito determinante na votação do candidato do PT. Que a sua mulher tenha vindo depois apelar abertamente ao voto em Bolsonaro, já pouco podia espantar: este é o juiz que, sem nenhuma prova directa e baseado apenas em delações premiadas (isto é, testemunhos comprados), sozinho, investigou, acusou, despachou para julgamento, julgou, condenou e meteu na prisão o homem a quem todas as sondagens davam larga vantagem para voltar a ser Presidente do Brasil. Até pode ser que Lula seja culpado de tudo o que o acusam, o que ainda está por demonstrar à luz das normas de um Estado de direito, tal como eu o entendo. Mas o mínimo que se exigia a Sérgio Moro é que tivesse alguma noção de decoro e contenção nas suas ambições.
(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 03/11/2018)
domingo, 28 de outubro de 2018
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